Uma Canção de Amor Norueguesa* - História das Famílias Öysten & Veland

A respeito das famílias Öysten e Veland, há diferenças básicas a serem esclarecidas; os Veland eram uma família bruxa tradicionalíssima da alta sociedade belga. Classe, elegância e poder são o que os caracterizava, acima de tudo... Ao menos perante seus amigos e sócios da aristocracia belga e inglesa. Os Veland tinham como seu ponto frágil a ambição. Tal ambição que fez o pai de Sigmund deixar seu famoso negócio de criação de varinhas para investir tudo o que possuía em uma campanha eleitoral, acreditando que se tornaria ministro da magia. A sorte não foi generosa, e todo o dinheiro rigorosamente acometido na campanha foi em vão, transformando o pouco que sobrara em incessantes dívidas. Aos poucos a família foi perdendo todo o seu dinheiro enquanto se afundava lentamente em mais juros e débitos. Quando a segunda geração desde o acontecimento (no caso Stsevan e sua irmã mais velha, Lorrehein) veio ao mundo, a família já se encontrava absolutamente arruinada – estavam falidos.
Enquanto isso, na Noruega, os Öysten Abigael e Andor criavam seu próprio negócio. Sua filha, a bela Vendelle, possuía toda a graça e a beleza que os cinco anos proporcionavam a uma criança. Pela filha, eles precisavam arriscar em algo novo para melhorar suas condições de vida, uma vez que seus empregos avulsos não lhe rendiam muito. Andor, apesar de não ter feito graduação, era um excelente herbologista, enquanto Abigael destacava-se em Hogwarts na disciplina “Propriedades Mágicas e Reações”, hoje fora de currículo. Decidiram então montar um negócio de revenda de ervas mágicas, poções pré-prontas e livros a respeito. No início, o negócio não prosperou, entretanto, alguns anos mais tarde, o pai de Abigael veio a falecer, deixando-lhe algum dinheiro de herança, que ela e o marido aplicaram em seu pequeno negócio. Desse ponto em diante, os tempos mudaram para os Öysten; agora não faziam mais suas próprias poções, não etiquetavam mais cada frasco e pote noite adentro, não corriam atrás de clientes. Agora possuíam funcionários para fazer tais serviços para eles, e os clientes é que vinham buscar seus produtos. De um pequeno negócio em uma loja velha alugada no centro da cidade, agora possuíam uma empresa prosperante.
De fato duas famílias bastante distintas; a ascendência e o declínio. A aristocracia decadente e os novos ricos. Para os Veland, era humilhante a simples idéia de unir sua família a bruxos dessa laia. Souberam da história dos Öysten pelo jornal De Gazet van Waregem, em uma entrevista com o patriarca Andor, sobre negócios bruxos. Ainda que com seu orgulho ferido, os Veland sabiam o que tinham que fazer. Na entrevista, Andor citara sua filha, Vendelle, e isso para as mentes estrategistas e desesperadas de Sigmund e Lauren era suficiente. Novos ricos costumam ser tolos e ingênuos, e os Öysten não eram exceção. Começaram como clientes esbanjadores, logo iam nos mesmos eventos sociais, adentraram na vida dos bruxos noruegueses tão sutilmente como um gato que espreita à noite. Os Öysten foram bem receptivos, as famílias foram criando um vínculo cada vez mais forte; Vendelle e Stsevan foram juntos para Hogwarts, e nem precisou mais esforço de Sigmund e sua esposa, pois a cada ano que passava, Vendelle e Stsevan, agora sonserinos, encontravam-se mais próximos um do outro. Entretanto, as mentes mudam com o passar dos anos. A mudança de Stsevan, para quem bem observasse, era premeditada pela sua personalidade. Desde criança, o sonserino possuía uma curiosidade insaciável, não importa o quão pequeno fosse seu objeto de estudo, ele não descansaria até obter todas as informações possíveis sobre tal. Um dia, voltando atrasado para o seu salão comunal, esperando não encontrar nem um professor ou monitor, acabou encontrando ambos; na sala de Slughorn, certa vez, ouvira duas vozes em uma conversa muito peculiar; reconheceu de imediato a voz de Tom Riddle, seu amigo e monitor da Sonserina, e a outra era a voz do próprio professor. Stsevan aguçou seus ouvidos ao máximo para ouvir do que se tratavam as tais “Horcruxes” que eles falavam. Algo com dividir a alma, número mágico... O sonserino jamais ouvira falar sobre nada disso, mas ainda que o alertassem que se tratava de magia das trevas, já era tarde demais, sua curiosidade havia sido despertada.
No ano seguinte, foi o primeiro ano em que não acompanhou Vendelle ao Beco Diagonal para comprar seus materiais escolares. Curiosamente, não foi visto por ninguém, embora estivesse muito próximo do local. Encontrava-se na Travessa do Tranco, procurando por livros que pudessem saciar sua mente cheia de perguntas. Encontrou-os, e devorou-os incessantemente ao longo daquele ano, às escondidas. Seus interesses, apesar de tudo, foram mudando de foco. Estudou as tais Horcruxes, mas o que realmente lhe fascinou era algo igualmente maquiavélico, os Inferis. Estudou-os com afinco, mas para o jovem sonserino, aquilo era muito pouco. Ele precisava ver com seus próprios olhos, sentir as sensações. Internamente desejava ser o primeiro bruxo na história a saber tudo sobre aquelas criaturas, e se esforçaria para que esse desejo se realizasse.
Terminou Hogwarts no mesmo ano que seus colegas Lestrange, Riddle e Avery, mas após isso o contato entre ele e os antigos amigos manteve-se escasso. Passados dois anos, Vendelle também terminou os estudos; naquela época os dois jovens já namoravam, e embora nem mesmo a sonserina nada soubesse, estava grávida. Apesar de ser uma família recém saída da miséria, os Öysten ainda assim eram uma família bruxa de linhagem antiga, e mantinham suas tradições severamente. Em seu terreno, há em um pequeno morro a alguns metros da casa, a família possuía um mausoléu, onde jaziam alguns de seus antepassados. Stsevan possuía os corpos e o conhecimento, só precisava agora executá-lo.
Entretanto, na calada noite, quando saiu para realizar sua experiência, não notou que alguém o seguia. Se tratava de Andor, que estranhou o garoto ir até o velho mausoléu e foi verificar o que o mesmo estaria fazendo. Ele foi pego em flagrante, com um dos túmulos destruído e os restos mortais de alguém que um dia foi um Öysten sobre o chão, com um livro aberto e a varinha em punho. Possesso com tamanha infâmia, a relação entre as famílias foi quebrada naquela noite de outono, com gritos e trocas de ameaças. Apesar de retornar à Hasselt com a família, ao chegar lá, Stsevan foi deserdado e expulso de casa e pelos pais, uma vez arruinado tudo o que eles tentavam conseguir há mais de dez anos. Vendelle naquela época encontrava-se na Universidade de Aritimancia de Oslo, mas ao receber a carta de seus pais explicando o acontecido e logo em seguida a de Stsevan dizendo-se um indigente, saiu de lá imediatamente. Enviando uma carta de perdão aos pais, foi encontrar imediatamente o namorado em Hasselt, o amava demais para deixá-lo partir dessa maneira. Sua escolha estava feita.
Logo os sinais de sua gravidez começaram a aparecer, e embora feliz, Vendelle, assim como Stsevan, ficara preocupada como fariam para criar aquela criança. Viajaram o país de albergue em albergue, até que, aos nove meses de gravidez da ex-sonserina, encontraram um pequeno vilarejo bruxo, Waster, em que havia uma casa desabitada e sem nenhum dono. A antiga moradora era uma velha senhora que morrera sem amigos e família, e a casa junto com todos seus móveis e outros pertences permaneceram por dois anos ali, esperando alguém para ser seu novo dono ou que o tempo e os cupins destruíssem tudo por inteiro. Por ser uma vila de interior, eles não possuíam hospital próprio, apenas um curandeiro, que foi encontrado em um golpe de sorte na noite em que nasceria a última descendente Öysten. O jovem médico, Albert Krust, fez o possível, mas Vendelle encontrava-se muito fraca por todo esforço que exercera durante a gravidez, e acabou por falecer. À criança foi dado o nome de Olivie, o mesmo da avó de Vendelle, pois a mesma era sua grande ídola.
Quanto à Stsevan, a perda da única pessoa que amou durante toda a sua vida o deixou mais obcecado pela morte do que antes, e acredita firmemente que descobrirá ainda uma maneira de fazer os mortos voltarem à vida como antes – e não somente uma semi-vida como acontece com os seus fascinantes Inferis.